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O Brasil tem um sistema de registro de óbitos abrangente e de acesso público: o SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade), do Ministério da Saúde. Os dados podem ser consultados na web, pelo TabNet, ou baixados como microdados, pelo DATASUS e pelo portal de Dados Abertos do Ministério da Saúde.
O TabNet, porém, gera tabelas sem calcular taxas de mortalidade padronizadas por idade — recurso central do seu equivalente nos Estados Unidos, o CDC WONDER. Sem a padronização, comparar estados com estruturas etárias diferentes, ou um mesmo estado ao longo de décadas de envelhecimento da população, pode levar a conclusões enganosas.
A proposta do Causa Mortis é trazer esse recurso aos dados brasileiros, junto com séries históricas prontas em gráfico, num formato que facilite e estimule o uso por qualquer cidadão, sem que ele precise conhecer a terminologia epidemiológica ou as ferramentas do Ministério da Saúde.
Como boa parte do debate público hoje acontece nas redes sociais, cada gráfico pode ser compartilhado por link ou baixado como imagem, já no formato quadrado, que funciona bem em telas verticais e horizontais. Os dados por trás de cada gráfico também podem ser baixados em CSV e XLSX.
Outra escolha pensada para o usuário: em vez de consultar a base completa a cada pedido, o painel trabalha com tabelas pré-agregadas e leves, processadas no próprio navegador. A resposta é quase instantânea — e quem espera menos desiste menos.
A pandemia de COVID-19 produziu variações atípicas na mortalidade, e isso precisa estar explícito nos gráficos: os anos de 2020, 2021 e 2022 aparecem destacados visualmente.
Por trás da interface simples, os indicadores seguem as fichas de qualificação da RIPSA (Rede Interagencial de Informações para a Saúde) e a Nota Técnica nº 51/2025-CGIAE/DAENT/SVSA/MS: padronização direta por idade, em 18 faixas etárias, tendo como padrão a população do Brasil em 2022. Taxas brutas e padronizadas aparecem sempre lado a lado, e os denominadores vêm das estimativas e projeções populacionais do IBGE (revisão 2024).
Em nome da simplicidade, abrimos mão de parte do detalhamento dos dados:
- Geografia: apenas unidades da federação, sem detalhamento por município;
- Causas: grandes grupos de causas, com um segundo nível apenas onde a RIPSA o normatiza (neoplasias, doenças cardiovasculares e causas externas), sem categorias individuais da CID-10;
- Periodicidade: apenas dados anuais, sem desagregação mensal.
O painel também tem limitações que merecem registro:
- Início da série: embora os dados de mortalidade codificados pela CID-10 existam desde 1996, a série começa em 2000, primeiro ano coberto pelas estimativas e projeções populacionais do IBGE usadas como denominador das taxas;
- Dados preliminares: no lançamento do painel (setembro de 2026), os dados de 2025 ainda são preliminares e serão consolidados ao longo dos próximos meses. Optamos por incluí-los assim mesmo, com indicação visual do status preliminar;
- Sub-registro: as taxas refletem os óbitos registrados no SIM, sem correção de sub-registro. Como referência desse limite, o painel exibe o indicador de cobertura do SIM.
Em suma, o Causa Mortis é uma ferramenta para levar ao cidadão comum respostas para a pergunta: “Do que morremos?”.
O time

Engenheiro civil pela Poli-USP, mestre em Saúde Ambiental pela FMU e doutorando na Faculdade de Saúde Pública da USP, onde estuda a mortalidade no trânsito com métodos de análise espacial e inferência causal. Trabalha com infraestrutura de transportes e dirige a Vortex, consultoria de engenharia de infraestrutura e inteligência territorial de dados. No Causa Mortis, cuida do pipeline de dados e da metodologia dos indicadores.

Engenheiro com ampla vivência em marketing técnico em multinacionais do setor químico, colunista do Estadão, apresentador do podcast Triturando Dados e fundador do hub Desvendados.com. No Causa Mortis, é responsável pela estruturação dos infográficos.
